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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os opressores de ontem são os oprimidos de hoje.


 
  “Só se pode aprender bem o que se aprende dificilmente”. Esse adágio propagou-se na educação brasileira do século 19 até meados dos anos 30. O método de ensino daquela época respaldava-se na pedagogia da violência. As aulas eram ministradas por meio de tremendas surras de palmatórias e de outros métodos de humilhação dos alunos relapsos. A violência continua presente nas atuais escolas, só que agora o professor é a vitima das protérvias agressões dos alunos. A educação encontra-se à beira de um caos. Os consultórios psiquiátricos recebem cada vez mais professores acometidos com a síndrome do pânico, tornam-se assíduos consumidores de prosac (fluoxetina). Os opressores de ontem são os oprimidos de hoje.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Que notas são essas?


  
  A frase “Que notas são estas"? Sofreu uma impressionante deformação semântica. É de admirar até o mais proeminente filólogo da Língua Portuguesa, como as mesmas palavras aplicadas nas mesmas circunstâncias puderam mudar totalmente de significado ao longo de algumas décadas. No tempo em que os pais questionavam seus filhos quando tiravam nota baixa na escola, resolutos e incisivos, perguntava-os “Que notas são estas”? Complementavam, "Filho você vai ficar de castigo, sem brincar, para estudar mais." Em tempos de inclusão digital a sentença funambulesca “Que notas são estas”? É dirigida pelos pais ao professor que inerme e frustrado ainda tem que escutar essa, “Meu filho tem que ser aprovado”. Na Grécia Antiga, Sócrates por tentar iluminar algumas mentes foi condenado a tomar cicuta. No Brasil “País do Futuro”, os professores tomam Tarja Preta.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O Príncipe, um livro maldito.

   O livro “O Príncipe” do autor florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527), é, sem a menor sombra de dúvida, uma obra literária polêmica na acepção da palavra. Ganhou diversas interpretações e várias deformações. Mas a ideia que se cristalizou entre nós quando atribuímos a alguém o adjetivo maquiavélico, derivado do seu nome, queremos dizer que determinada pessoa é ardilosa, falsa, enganadora, em suma, o sujeito é um mau caráter.
    É preciso conjugar alguns aspectos históricos e políticos, da Florença renascentista, para que possamos entender o pensamento deste conterrâneo de Dante Alighieri (1265-1321).  Maquiavel viveu numa época em que a península itálica estava dividida em cinco grandes e desunidos Estados; no sul, o reino de Nápoles, no noroeste o ducado de Milão e a república democrática de Veneza e no centro e no centro a república de Florença e os estados pontifícios. Formavam uma sociedade intelectualmente brilhante e artisticamente criadora, mas sujeita aos piores exemplos de degradação moral e de corrupção política, a crueldade, a repressão violenta e o recurso consuetudinário ao assassinato tornaram-se fatos correntes do governo. A qualquer momento, pela força das armas, derrubavam-se os governantes. Vivia-se no sentido literal, a frase hobbesiana “o homem é o lobo do homem”.  Foi esse o mundo em que nasceu, viveu e morreu Nicolau Maquiavel.  
    Condenado por uma frase que jamais escreveu, 'Os fins justificam os meios'. Que provocou e ainda provoca tanta celeuma e debates apaixonados atinentes a sua obra. Tudo ocasionado pelo fato dele ter mostrado as relações políticas da época segundo as quais elas realmente aconteciam e não a maneira pela qual seria melhor que acontecesse. Numa sociedade regida pelos preceitos da Igreja Católica, ele estabeleceu novos padrões de moralidade política, separou teoricamente a política, da moral convencional e cristã o que já acontecia na prática, e acabou com a justificação religiosa para o poder político. Dadas às circunstâncias, pode-se imaginar a turbulência que as suas ideias causaram.  
    O conceito de moral, em Maquiavel, está diretamente ligado aos conceitos de fortuna e virtú. Fortuna é o acaso, a sorte, o destino, que não surge, porém, como fator inexorável. Virtú é a capacidade de domá-lo, de construí-lo favoravelmente aos desígnios do ator político. É a capacidade de fazer com que o acaso seja transformado em uma sucessão de eventos favoráveis, sendo pensada, ao mesmo tempo, como flexibilidade, capacidade de adaptar-se à fortuna, e ousadia, capacidade de sobrepor-se a ela.
   Surgiram na mesma época outros livros de conselhos aos governantes, o mais conhecido é de autoria de Erasmo de Roterdã(1466-1536). A Educação de um Príncipe Cristão tem muito mais em comum com um outro tratado de idéias políticas, a Utopia, de Thomas Morus (1478-1535), do que com O Príncipe. Erasmo aludia a um governo baseado na tradição cristã e no poder hereditário, o que é o oposto do pensamento maquiaveliano.    

   A maneira pela qual Maquiavel descreveu na sua obra mais conhecida, as qualidades e atitudes que o príncipe (a palavra príncipe é referente a qualquer chefe de estado) deveria ter para conquistar e manter-se no poder do estado, eternizou-o como o primeiro teórico da política. Ele destacou como nunca antes na história, a importância do Estado entre as instituições políticas e estabeleceu, há mais de 450 anos atrás, o que iria ser depois do colóquio da UNESCO de 1948 em paris, o fulcro da ciência política contemporânea.
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